quarta-feira, 24 de março de 2010

Igreja alemã confirma mais seis suspeitos de abuso; casos caem nos EUA

A diocese alemã de Regensburg, na Bavária, confirmou novas alegações de abuso sexual contra crianças supostamente cometidos por quatro padres e duas freiras, na última segunda-feira (22). O anúncio piora a imagem da Igreja Católica na Alemanha.

A diocese prometeu entregar qualquer prova concreta ao promotor público e suspender os suspeitos de abuso sexual.

"O trabalho das últimas duas semanas nos mostrou a grave injustiça cometida por membros do clero. Nossa simpatia vai para as vítimas desses crimes e suas famílias. Nós sentimos profundamente que o clero e os funcionários da igreja tenham feito isso a essas crianças e jovens e pedimos perdão", disse a diocese em comunicado.

Um dos padres mora em Regensburg, e a diocese dos três outros padres foram informadas das acusações, disse a Igreja. O comunicado afirma que as freiras sofrem de demência. A maioria dos incidentes teria ocorrido nos anos 1970, mas um foi em 1984.

As novas alegações seguem uma série de denúncias recentes de abuso físico e sexual cometidos na Alemanha, no coro da catedral de Regensburg, na escola do monastério beneditino em Ettal e na escola capuchinha em Burghausen.

O sacerdote Georg Ratzinger, irmão do papa Bento 16, que liderava os rapazes do coro da catedral de Regensburg, negou saber dos casos de abusos e foi inocentado.

Mais de 250 pessoas são acusadas de terem cometido abuso em escolas mantidas pela Igreja nas últimas décadas, segundo a mídia na Alemanha.


EFEITO CONTRÁRIO NOS EUA

Enquanto isso, nos Estados Unidos, um relatório divulgado nesta terça-feira pela igreja afirma que o número de vítimas e denúncias de abuso caíram em 2009, atingindo os índices mais baixos desde que os dados começaram a ser coletados, em 2004.

 O último relatório anual da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA identifica 398 acusações de abuso envolvendo religiosos de dioceses católicas em 2009, numa queda de 36% em relação a 2008. A maioria dos casos envolveu pré-adolescentes e adolescentes do sexo masculino e incidentes ocorridos há décadas.

Os números, no entanto, são incompletos, já que apenas 159 das 219 comunidades religiosas de homens participou da pesquisa.

David Clohessy, diretor nacional da SNAP (Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres, na sigla em inglês) reiterou o ceticismo das vítimas sobre os números reportados pela própria igreja. Ele disse ser ingênuo acreditar que uma instituição que encobriu abusos e protegeu seus membros por tanto tempo iria, de repente, ser honesta e comunicativa.

Ainda segundo o relatório, das denúncias divulgadas em 2009, seis envolveram crianças com menos de 18 anos em 2009. Um oitavo das denúncias feitas no ano passado se mostraram infundadas ou falsas até o final do ano.

O número de culpados caiu 32%, para 286. A maioria já morreu, não pertence mais à igreja, foram suspensos ou estão desaparecidos, segundo o relatório.

Os valores gastos pela igreja americana também caíram. Dioceses e suas seguradoras pagaram em 2009 US$ 104 milhões (R$ 185,5 milhões) em acordos, honorários de advogados e outros custos ligados a abusos. Em 2008, o valor gasto foi US$ 376 milhões, cerca de R$ 670 milhões.

Os acordos somaram US$ 55 milhões (R$ 98 milhões) em 2009, contra US$ 324 milhões (R$ 578 milhões) em 2008.

Os seguros cobriram cerca de um terço dos custos das dioceses, seguindo a tendência de anos anteriores.


CRISE NA EUROPA

Os casos de pedofilia atingiram ainda a Holanda, onde a Igreja Católica recebeu 350 denúncias de pessoas que afirmam ter sofrido abusos sexuais por parte de membros do clero entre os anos 50, 60 e 70.

Na Suíça, foi confirmada esta semana a prisão de um padre suspeito de ter cometido abusos sexuais contra crianças. A Igreja Católica suíça disse estar investigando cerca de dez acusações de abusos por clérigos, colocando a Suíça na lista de países europeus afetados pelo escândalo.

Na semana passada, na Áustria, a imprensa local noticiou casos de abusos cometidos em dois institutos religiosos nas décadas de 1970 e 1980.

A Igreja Católica da Irlanda foi criticada por ocultar, segundo relatório de uma investigação oficial publicado em novembro passado, os abusos sexuais cometidos por padres da região de Dublin envolvendo centenas de crianças durante várias décadas.


O documento, de mais de 700 páginas, fala sobre a atitude da hierarquia católica no arcebispado de Dublin entre os anos 1975 a 2004. Acusa, principalmente, quatro arcebispos por não terem denunciado à polícia que sabiam dos abusos sexuais, cometidos a partir dos anos 60. 




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Publicado Por Elias Alves - Fonte: Folha Online Via OGalileo