segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Igreja Perseguida no Peru

O Peru localiza-se no oeste da América do Sul e possui fronteira com os Estados do Acre e do Amazonas. Seu território equipara-se àrea do Estado do Pará e é caracterizado por três regiões distintas: o litoral desértico, onde se concentra a maior parte das cidades e das indústrias; o altiplano da cordilheira dos Andes, marcado pela agricultura; e as selvas da Amazônia peruana na região leste.
A população do país soma quase 26 milhões de habitantes, mas o crescimento demográfico é lento e estima-se que esse número não dobre antes de 2050. Pouco mais de um terço da população peruana possui idade inferior a 15 anos. A composição étnica dos peruanos é marcada pela presença de ameríndios, eurameríndios e mestiços. Aproximadamente 72% da população concentra-se nas áreas urbanas, onde Lima, a capital, é a maior cidade, com mais de cinco milhões de habitantes.
A maioria dos peruanos é alfabetizada e possui educação formal, mas também é pobre e afetada pelo desemprego. Devido à recessão econômica, às ações guerrilheiras e às doenças epidêmicas, o Peru já foi considerado um dos países com maior risco para investimentos em todo o mundo. O governo ganhou a luta contra a hiperinflação ao longo da última década, mas o nível de desemprego continua apresentando taxas elevadas, que chegam a mais de 50% quando se inclui a parcela da população que se encontra subempregada.
O Peru obteve sua independência da Espanha em 1824 e, desde então, sua história está repleta de regimes militares e ditatoriais. Infelizmente, a tentativa de estabelecer um governo democrático falhou na década de 80, pois os governantes foram incapazes de lidar com a guerrilha e com os graves problemas econômicos. As operações guerrilheiras foram responsáveis por vinte anos de guerra que custaram 26 mil vidas e US$ 10 bilhões ao Peru. Em 1992, o presidente Alberto Fujimori, eleito dois anos antes, fechou o Congresso do país, suspendeu as garantias constitucionais e passou a dirigir o país ditatorialmente, em uma tentativa de promover mudanças. Embora o terrorismo tenha sido controlado com a prisão de seus principais líderes, ainda há ações na zona da selva. No ano 2000, Fujimori venceu as eleições presidenciais e habilitou-se para governar o país por mais cinco anos em seu terceiro mandato consecutivo. No entanto, denúncias de corrupção em seu governo forçaram Fujimori a renunciar e exilar-se no Japão.
Embora a imensa maioria da população peruana seja catolica, cerca de 2% dos peruanos seguem crenças indígenas tradicionais. Além disso, um terço dos que professam o catolicismo possui uma postura um tanto sincretista, pois segue ritos e superstições tradicionais, embora, exteriormente, revista-se da máscara do cristianismo.
A Igreja
Os primeiros padres católicos chegaram ao Peru em 1536 trazidos pelos exploradores espanhóis. Em 1845, o catolicismo foi declarado a religião oficial do país. Mais de 97% da população peruana professa o cristianismo e 89% são católicos.
O cristianismo no Peru atravessa uma grande crise neste momento, mas ainda tem um grande potencial para o futuro. A maioria do clero é constituída por estrangeiros e seus membros discutem incessantemente a teologia da libertação. O discipulado tem sido difícil em função da falta de pastores e padres treinados, razão pela qual o sincretismo ligado às crenças tradicionais tem crescido.
Ao mesmo tempo, no entanto, as dificuldades enfrentadas pelo povo peruano têm despertado um tremendo interesse no cristianismo e desencadeado um processo de crescimento nas igrejas evangélicas, que vêm, por sua vez, desempenhando um importante papel nos processos de desenvolvimento social do país. Da mesma forma, o movimento carismático também tem provocado um grande impacto, mas, infelizmente, muitos dos envolvidos desligam-se das denominações tradicionais para formar congregações pequenas e independentes que não possuem poder ou influência relevantes.
A Perseguição
Quando a Igreja Católica Romana foi declarada a religião oficial do país, os estrangeiros receberam permissão para a realização de cultos protestantes, mas sem a presença de cidadãos peruanos. A liberdade religiosa foi assegurada na constituição de 1978, mas os católicos continuam a exercer uma grande influência no governo e na sociedade. Na década de 80, a perseguição aos cristãos por guerrilheiros e soldados do governo tornou-se severa e, segundo estimativas, pelo menos 800 líderes cristãos foram assassinados e muitas congregações foram massacradas. De maneira especial, os missionários que trabalham nas áreas de conflitos ou de produção de drogas vivem sob risco constante.
Entre as milhares de vítimas dos violentos anos de guerra civil entre o exército e os guerrilheiros do Sendero Luminoso está a família Sauñe-Quicana, que pagou um preço muito alto por causa do Evangelho de Jesus Cristo. Justiniano Quicana, o patriarca da família, tornou-se cristão quando ouviu uma pregação. Como resultado, toda a família aceitou a Jesus Cristo como Salvador, submetendo-se completamente ao seus mandamentos.
Um dos netos de Justiniano, Romulo Sauñe, cuja história de vida foi relatada no livro One Bright Shining Path,* também foi dominado pela paixão a Cristo. Sua breve vida é um exemplo da misericórdia de Deus. Após traduzir a Bíblia para o quíchua de Ayacucho, Romulo viajou a lugares muito perigosos apenas para transmitir o Evangelho ao povo que tanto amava. Donna, sua viúva, e seus quatro filhos ? Romi, Cusi, Qori e Tawa ? são os responsáveis pelo trabalho de Deus na cidade peruana de Chosica.
* WHALIN, W. Terry, WOEHR, Chris. One bright shining path: faith in the midst of terrorism. Wheaton, IL.: Crossway Books, 1993. Há também uma edição em espanhol: WHALIN, W. Terry, WOEHR, Chris. Ayacucho para Cristo. Miami, FL.: Vida Publishers, 1996.
Romulo, seu irmão Ruben e dois de seus primos foram mortos em uma emboscada preparada pelos guerrilheiros do Sendero Luminoso em setembro de 1992, quando viajavam para Ayacucho para visitar o túmulo de seu avô, Justiniano, também brutalmente assassinado pela guerrilha não muito tempo antes.
Josué, outro irmão de Romulo, vivia nos Estados Unidos quando ocorreu o assassinato. Assim que recebeu a notícia, seu coração se encheu de ódio e desejo de vingança, e ele retornou ao Peru com o firme propósito de vingar as mortes de seus irmãos após o enterro. No entanto, enquanto Josué acompanhava os funerais, Deus agiu em seu coração e seu ódio foi substituído pelo perdão de Deus e pela visão de servir ao seu povo. Josué vive atualmente no Peru com sua esposa norte-americana, Missy, e seus dois filhos. Ele está completamente compromissado em viajar pelos Andes para anunciar o Evangelho ao seu povo, os quíchuas, em sua própria língua. Ele já foi ameaçado de morte e advertido a não viajar para certas áreas, mas as palavras de seu irmão, Romulo, ainda ecoam claramente em sua mente: "Somos imortais até que o Senhor nos chame para estar com Ele."
Quando Romulo pregou o Evangelho na vila de Ayacucho, em 1979, todos os habitantes, pertencentes ao clã dos Sauñe, aceitaram a Cristo. Um deles, Juan ? que participou de um seminário de treinamento em Vinchos ?, disse que somente ele e seus pais sobreviveram à fúria do Sendero Luminoso, que assassinou cerca de 40 de seus parentes mais próximos entre 1979 e 1988. É fácil constatar que o sofrimento da família Sauñe tem sido enorme. Alguns foram vitimados pelos violentos anos de guerra civil, porém a maioria morreu por seu amor e comprometimento a Jesus Cristo. Ainda assim, eles continuam acreditando de todo o coração que sua missão em vida é levar o cristianismo ao maior número possível de pessoas do povo quíchua. Enrique Sauñe, pai de Romulo e já idoso, expressou isso muito bem ao lhe perguntarem quando se aposentaria de suas constantes viagens de vila em vila para pregar o Evangelho e batizar novos convertidos: "Se eu não o fizer, quem o fará?", respondeu o patriarca.
O Futuro
A igreja peruana continuará crescendo em um ritmo semelhante ao crescimento demográfico do país. O domínio católico persistirá, mas a igreja protestante avançará de maneira significativa. É muito provável que o tormento da perseguição também persista.
Motivos de Oração
1. A igreja peruana desfruta de uma posição majoritária no país. Ore para que os líderes desenvolvam programas eficazes de treinamento e discipulado que possam combater o nominalismo e o sincretismo religioso.
2. A indústria da droga é poderosa no país e a igreja sofre as conseqüências. Ore para que os cristãos desenvolvam respostas adequadas ao narcotráfico, incluindo a evangelização e a conversão de sua liderança.
3. A igreja peruana sofre em meio às tensões que afligem o país. Ore para que os cristãos atuem como força de paz e reconciliação, ajudando a erradicar os onerosos conflitos. Peça a conversão dos guerrilheiros, especialmente sua liderança.
4. Os cristãos peruanos também são atingidos pelas dificuldades econômicas. Ore pelos ministérios cristãos e peça que eles sejam capazes de implantar programas de desenvolvimento econômico em benefício do povo.

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Publicado pelo Pastor Elias Alves no Missões Peru
Fonte: portasabertas.org.br